Esta é a história real
De uma jovem decidida
A fazer algo de bom
Com o tempo de sua vida,
Com a vontade que ardia
Lá, no fundo de seu peito
E um grande amor às crianças
- Crianças de todo jeito!
O Brasil 'inda vivia
Os tempos da escravatura,
E as crianças libertadas,
Sem família, nas estradas,
Não tinham vida segura.
Foi onde Anália encontrou
Sua grande vocação:
Acolhendo estes pequenos
Sob sua proteção.
A doce professorinha
Conseguiu um bom lugar,
Alugando uma fazenda
Onde pudessem morar.
Com roupas, casa, comida
E uma boa educação,
Tinham a oportunidade
De futura profissão.
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Embora não fosse fácil
Fazer o branco entender,
Sentia gosto de ver
A criançada aprender.
Pra terem sempre bondade,
Anália Franco ensinava
Os princípios da fé viva
Em que ela se resguardava,
Pois no exemplo de Jesus
Colheu força e paciência,
Pra seguir inquebrantável
Mesmo em dura experiência.
E deu pra fundar escolas,
Uma, duas, três, e mais!
E deu pra escrever tratados
Fundar "casas maternais",
Ter romances publicados,
Fazer peças teatrais!
E assim corriam os anos,
Desta mulher toda amor
Que se fez mãe e amiga,
Irmã na alegria e dor.
Vieram tempos difíceis
De guerra e de epidemia,
E de falta de dinheiro,
E do pão de cada dia.
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Mas, se faltava dinheiro,
Coragem tinha de sobra,
E sempre achava maneiras
De continuar sua obra.
Quer fosse pedindo ajuda
Em favor da meninada,
Quer fosse escrevendo artigos
P'ra ter um país melhor.
Fundou até uma banda
E um grupo de teatro
Que viajou pelo interior!...
Até que chega sua hora
De partir pro "outro lado".
Anália está tão tranquila,
Na fé que a tem sustentado...
E vão brotando as sementes
Que aqui havia plantado,
Outros vêm continuar
O trabalho começado.
Mas de onde está, olha a Terra.
A fome, o frio, a tristeza...
E volta aos seus pequeninhos,
Iluminando caminhos
Como chama sempre acesa.
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