Evolução e Educação

Vinícius
Educar é tirar do interior. Nada se pode tirar de onde nada existe. É possível desenvolver nossas potências anímicas, porque realmente elas existem no estado latente. A evolução resulta da involução. O que sobe da Terra é o que desceu do céu.
A diferença entre o sábio e o ignorante, o justo e o ímpio, o bom e o mau, procede de serem, uns educados, outros não. O sábio se tornou tal, exercitando com perseverança os seus poderes intelectuais. O justo alcançou santidade cultivando com desvelo e carinho sua capacidade de sentir. Foi de si próprios que eles desentranharam e desdobraram, pondo em evidência aquelas propriedades, de acordo com a sentença que o Divino Artífice insculpiu em suas obras: "Crescei e multiplicai".
A verdade não surge de fora, como em geral se imagina: procede de nós mesmos. "O reino de Deus (que é o da verdade) não se manifestará com expressões externas, por isso que o reino de Deus está dentro de vós." Educar é extrair do interior e não assimilar do exterior. É a verdade parcial, que está em nós, que vai se fundindo gradativamente com a verdade total que a tudo abrange. É a luz própria, que bruxuleia em cada ser, que vai aumentando de intensidade à medida que se aproxima do Foco Supremo, donde proveio. É a vida de cada indivíduo que se aprofunda e se desdobra em possibilidades quanto mais se identifica ele com a Fonte Perene da Vida Universal. "Eu vim a este mundo para terdes vida, e vida em abundância."
O juízo que fazemos de tudo quanto nossos sentidos apreendem no exterior está invariavelmente de acordo com as nossas condições interiores. Vemos fora o reflexo do que temos dentro. Somos como a semente que traz seus poderes germinativos ocultos no âmago de si própria. As influências externas servem apenas para despertá-los.
Educar é evolver de dentro para fora, revelando, na forma perecível, a verdade, a luz e a vida imperecíveis e eternas, por isso que são as características de Deus, a cuja imagem e semelhança fomos criados.

Vinícius, neste texto, refere-se a um tipo de educação diferente do entendimento comum.
O tipo de educação que estivemos ocupados em oferecer, durante muito tempo, consistia em embutir as tendências inatas, camuflar os desejos considerados impróprios, criar um comportamento padronizado que não correspondia à verdade mais profunda do ser.
Aqui, ele nos fala do desabrochar das qualidades intrínsecas, de trazer para fora o que está oculto, deixar transparecer as tendências, e a Educação verdadeira viria ajudar o Espírito a administrar seu mundo íntimo, escolhendo, verificando por si mesmo o que lhe é benéfico ou prejudicial, criando felicidade e sabedoria pelo despertar da própria consciência do educando.
A verdade não vem de fora, não precisa ser oferecida como um presente. A verdade está em nós, e quando ouvimos referências a ela, é nosso íntimo que vibra diferente, nosso coração que acena positivamente, por ver enunciado por outra pessoa algo que sempre soubemos. E não se precisa ser convencido, porque já está patente, e não há dúvida.
A dúvida surge de idéias que nos querem impor, modelos oferecidos como bons para nossa conduta, mas que não fazem sentido, ou porque são falsos, ou porque não estamos prontos para eles.
A educação verdadeira é uma forma de respeito à individualidade, às conquistas atuais da criatura, tornando possível que delas extraia o melhor para o seu próprio progresso.

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