Como começar?

Comunidades de investigação

O melhor lugar onde a racionalidade pode ser desenvolvida através do cultivo das habilidades do pensamento (as habilidades de investigação, de raciocínio, de formação de conceitos e de tradução) é na "comunidade de investigação", cuja alma ou essência é o diálogo.

É na troca de idéias que as pessoas têm grande chance de estar expondo suas idéias aos outros, de estar escutando as idéias dos outros sobre o mesmo tema ou assunto, de estar comparando suas idéias com as dos outros e as dos outros entre si e de estar, a partir daí, podendo melhorar, completar, ou mesmo modificar o que pensam ou, então, confirmar ainda mais seus pontos de vista.

Costumamos dizer que, na situação de dialogo, as pessoas trocam, além das suas convicções, os seus argumentos, as suas razões relativas às próprias convicções. É nesta troca de razões que elas podem ficar mais fortalecidas, menos fortalecidas ou até claramente frágeis ou sem sustentação. Estas oportunidades são ótimas para provocar, nas pessoas envolvidas, a autocorreção dos seus pontos de vista, o que implica a utilização das mais diversas habilidades de pensamento.

Fazer tudo isto é fazer investigação sobre um tema ou um assunto, em grupo, e com a intenção de esclarecê-lo cada vez mais. Pôr-se em grupo e com tal intenção é o que chamamos de comunidade de investigação. (Marcos Antônio Lorieri em A Educação para o Pensar e a Comunidade de Investigação)

Lipman propõe a Comunidade de Investigação como o coração da sua proposta de uma Educação para o Pensar.

Como começar?

Só sabemos aquilo que experimentamos. Antes de partir para o trabalho com os alunos, é interessante que os professores/educadores componham sua própria "comunidade de investigação", constituindo um grupo de estudos do material referente à proposta de Filosofia Espírita para Crianças. Sugerimos o estudo dos seguintes textos e nesta sequência:

Depois que se houver dialogado bastante e compreendido a natureza do trabalho, é que se iniciará a prática com os alunos.

Sentam-se alunos e professor em círculo de modo que todos possam se ver de frente e no mesmo nível, o que reforça a idéia de solidariedade.

Em conjunto, definem as regras para as atividades da equipe. Fica combinado, por exemplo, que será respeitada a vez de cada um falar e que quem quiser fazer uso da palavra levantará a mão e aguardará o outro terminar. Quem fala não se estenderá muito, para que todos tenham tempo de participar. Fica claro que todas as opiniões serão respeitadas, mesmo aquelas com que se discorde ou que sejam consideradas bobas.

O ideal é que se tenha um texto ou atividade de motivação, com um tema do qual possam ser extraídas perguntas úteis e inteligentes, que mobilizem o interesse da turma. Formam-se grupos, para discuti-las e apresentarem, depois de certo tempo, seus pontos de vista.

As questões podem ser apresentadas de muitas maneiras, inclusive através de jogos.

Para entender melhor o funcionamento do trabalho, visite nossa página de ATIVIDADES.