Dos conhecimentos como ferramentas
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Fluidos Que são fluidos? São tipos de matéria em estado imponderável, que tem algumas propriedades e podem assumir qualidades. Como funcionam os fluidos? Os fluidos se expandem, se contraem, conduzem pensamentos, emoções e sentimentos e adquirem qualidades daquilo que conduzem; são maleáveis, penetram e atravessam a matéria densa, etc. Pra que servem os fluidos? Levam e trazem pensamentos, emoções e sentimentos. No mundo espiritual, eles formam roupas, objetos e outras coisas que os Espíritos utilizam. No mundo material, servem para influenciar e ser influenciado. |
Um bom trabalho de investigação da verdade é aquele que propicia ao participante o incentivo e a oportunidade de saber coisas úteis para seu progresso, finalidade maior da encarnação. Não se lhe oferecem respostas prontas e acabadas, que sempre são respostas de outrem, mas convida-se o grupo a refletir e contribuir, construindo raciocínios e conclusões.
Este é um bom modo de se estudar os princípios do Espiritismo, de torná-los dinâmicos e eficientes na nossa transformação interior. (Ver Anexo 1)
Os princípios do Espiritismo como ferramentas de progresso
Os princípios do Espiritismo formam uma rede de inter-relações que compõem, para aquele que os conhece, uma sólida base filosófica e ética. (Por que conhecer os princípios do Espiritismo? - Anexo 1)
Partindo de uma conceituação revolucionária de Deus, que descarta as características humanas presentes em muitas visões religiosas e no-lo apresenta dotado de atributos que ajudam a conceber a infinita bondade e justiça, o Espiritismo nos oferece um conjunto de idéias com profundas conseqüências morais. E estas idéias são representadas por aquilo que chamamos de seus princípios, ou seja, as bases fundamentais de sua compreensão da vida.
Conhecer estas idéias é o primeiro passo importante para iniciar um profundo e sólido processo de transformação em nosso pensar, sentir e agir. Contudo, é preciso apropriar-se dos conceitos não apenas intelectualmente, mas verificando as implicações e conseqüências.
Para adquirirmos não só o conhecimento, mas a possibilidade de raciocinar e de escolher com base nos princípios do Espiritismo, precisamos de alguns dados essenciais sobre cada um deles, os quais se resumem nas questões propostas por Hans: O que é? Como funciona? Para que serve?
Retomando a analogia com o mundo das ferramentas, vejamos: de que serve possuir um alicate e não saber o que é, como funciona e para que serve?
De que adianta saber sobre Deus sem saber o que é, como funciona e para que serve? (Pode soar estranho, mas mesmo assim é pertinente).
Que é Deus? A inteligência suprema que causou a existência do Universo.
Como Deus funciona? Deus cria Espíritos por toda a eternidade e criou leis imutáveis que regem seu progresso. Sempre age com bondade e justiça, visando a evolução e a harmonia do Universo.
Pra que "serve" Deus? Para que os Espíritos tenham confiança e certeza do Bem acima de tudo, para que se sintam amparados por um poder superior em momentos complicados da existência, para que tenham certeza da justiça e não queiram fazê-la com suas próprias mãos, para que se sintam seguros sob o seu governo sábio...
Um estudo de Espiritismo que se pretenda renovador das criaturas necessita fornecer esta perspectiva a qual, somada à da reencarnação, livre-arbítrio, causa e efeito, mediunidade e outros princípios, torna-nos realmente conscientes de nossa essência espiritual, das razões de nossos problemas e dos meios de melhorar a nós mesmos, melhorando nossa qualidade de vida. Um estudo profundo que nos apresente as idéias espíritas como ferramentas para uso imediato na conquista do equilíbrio e da paz íntima.
Integrando os três aspectos do Espiritismo à compreensão dos seus princípios
As questões básicas propostas por Hans foram transformadas por ele mesmo, numa das nossas reuniões subseqüentes, em compreensão prática e dinâmica dos três aspectos do Espiritismo inerentes a todos os seus princípios:

Foi um passo importante para nossa maneira de lidar com os conteúdos do Curso (2) que vínhamos coordenando.
Hans propôs um exercício. Nós deveríamos verificar no texto referente a cada princípio, quais os trechos que pertenciam a cada uma das três dimensões em que ele podia ser observado, ou seja, que frases no texto abordavam aspectos filosóficos, científicos ou morais. Ele disse que poderíamos recortar estes trechos e organizá-los colando em três folhas, como mostra a figura a baixo.

Foi muito interessante verificar que os textos resultantes em resposta às três perguntas realmente esclareciam os três focos importantes do tema e permitiam uma visão bastante objetiva sobre ele. (Ver Anexo 2)
Os princípios espíritas na dinâmica da existência
Uma das razões que justificam nosso empenho em divulgar e apresentar os princípios doutrinários do Espiritismo da forma mais clara e correta possível é esta: eles não são e nem devem se parecer com dogmas ou artigos de fé, não fazem parte de algum tipo de "catequese espírita".
Eles são científicos e lógicos, todos baseados nas leis universais, válidos e comprováveis por qualquer pessoa de mente aberta e investigativa. E podem, sim, fazer muita diferença na vida de quem os conhece.
Observamos que quando não há um entendimento claro, quando são abraçados como dogmas, internamente é como se a pessoa continuasse nas religiões tradicionais e dogmáticas, repetindo o que os outros dizem, sem penetrar no verdadeiro significado e consequências.
Por isso, o lugar ideal para falar deles é numa comunidade de investigação.(3)
Na troca de experiências e na abordagem prática que os diálogos possibilitam, estes três aspectos são percebidos em sua verdadeira amplitude e, ao mesmo tempo, segundo a realidade e percepção de cada participante.
Aos poucos, vamos sendo capazes de transitar com desembaraço entre eles, criando uma dinâmica em que aquilo que definimos e entendemos como funciona nos ajuda a escolher, mas também aquilo que experimentamos/observamos no ajuda em nossas definições e escolhas.
A observação prática dos princípios em nossas vidas nos permite comprovar sua verdade e validade, o que é mais um dado a diferenciá-los dos dogmas e artigos de fé das religiões tradicionais. São conhecimento se transforma em ferramenta do ser humano para buscar conscientemente a evolução, a paz e a felicidade.
Notas:
1. A caixa de brinquedos, texto de Rubem Alves disponível no site Cidade Escola Aprendiz Volta
2. Virando a Página: Curso de Princípios Doutrinários do Espiritismo, organizado e ministrado pelo Grupo CEM. em Jundiaí/SP, durante o ano de 2004. Volta
3. Para saber mais, leia O que é comunidade de investigação?. Volta
Anexo 1
Por que conhecer os princípios do Espiritismo?
Os princípios do Espiritismo são conceitos que formam a estrutura básica do pensamento espírita.
São eles: Deus, espírito e matéria (os elementos da criação), imortalidade, reencarnação, progressão dos Espíritos, livre-arbítrio, causa e efeito, fluidos, perispírito, mediunidade, pluralidade dos mundos habitados, Espíritos na erraticidade, influência dos Espíritos na nossa vida e na Natureza.
São idéias que, uma vez modificadas ou descaracterizadas, descaracterizam a própria Doutrina, o que nos leva a relacioná-las à própria identidade do Espiritismo, enquanto filosofia.
As interpretações erradas destes princípios por parte de alguns grupos originaram práticas tidas como espíritas, mas que nenhum fundamento possuem nas obras de Kardec. Por isso e pela sua importância, o estudo destes princípios é o primeiro passo a ser empreendido pelos grupos e entidades que queiram divulgar o Espiritismo em sua expressão mais pura.
Embora estudados separadamente no Curso de Princípios da Doutrina Espírita do Grupo CEM, os princípios do Espiritismo formam uma rede de inter-relações que compõem, para aquele que os conhece, uma sólida base filosófica e ética.

Para quem é espírita ou não, o conhecimento dos princípios torna possível raciocinar e entender a vida através de uma visão racional, gerando resultados práticos nas mais diferentes situações. A sua compreensão aprofundada melhora nossa capacidade de reflexão, ajuda no exercício do diálogo interior e na manutenção de maior segurança e harmonia.
(Artigo publicado no "Jornal do CEM" - www.geocities.com/jornalcem.)
Anexo 2
Filosofia, Ciência e Moral
A proposta do Hans de destacar e separar ciência, filosofia e moral nos textos que seriam usados nos estudos de nosso grupo teve duas vantagens:
Primeira, de ajudar a nós, como expositoras, a criar uma síntese do conhecimento essencial sobre o tema, contido no texto.
Segunda, de ajudar a identificar as informações essenciais do tema, as importantes e as descartáveis.
Mesmo que não se trate exatamente um texto para ser "estudado", que seja um artigo de jornal, por exemplo, é possível agrupar suas informações e entendê-lo melhor como leitor, usando este método. Vejamos o exemplo abaixo:
CUIDADO AO FALAR
Falar o que se pensa é maravilhoso, mas tem de vir acompanhado do cuidado ao falar, porque existe a palavra que derruba e a palavra que levanta, a que fere e a que desperta.
Por que nos sentimos no direito de atingir o outro que não conhecemos e que não podemos julgar com palavras? Porque os efeitos são impalpáveis? Mas que argumento seria este, se usado por espíritas que acreditam, antes de tudo, no impalpável e no imaterial como base de sua filosofia de vida?
É preciso cautela para não cair nas armadilhas do orgulho, respondendo à agressão com agressividade. Somente a resposta amorosa é digna dos que intentam se inscrever na escola do Mestre. (Gilberto, um amigo invisível)