Pensadores e Pensamentos
Cristina Helena Sarraf

Este artigo não irá falar dos grandes pensadores e de sua contribuição ao desenvolvimento do pensamento humano. Falará de nós, os simples mortais, dos nossos pensamentos e das formas gerais de se pensar sobre nós mesmos, sobre a vida e sobre os pensamentos. Vamos lá!
Percorrendo o tempo histórico, um fato se destaca: o cultivo das idéias, da filosofia e da ciência foi uma atividade restrita a poucas pessoas. Mas a imposição de formas de pensar, de usos e costumes, de comportamentos tidos como corretos, destinou-se e aplicou-se 'a totalidade das populações.
Em todos os tempos, algumas poucas pessoas se destacaram por sua ousadia e descortínio mental, rasgando a viseira implantada e percebendo verdades ocultadas ou nem mesmo vistas. Correndo risco de vida, puseram-se como faróis a iluminar o entendimento humano sobre conceitos e informações nascidos de ideologias circunstanciais e dominadoras, religiosas. A maioria desses pensadores-libertadores foi desprezada e perseguida, punida e desmoralizada perante a sociedade, tal como Sócrates, Jesus, Galileu, Abelardo, Colombo, Pestalozzi, só para citar algumas das criaturas muito marcadas por sua grandeza.
 Para o povo, entretanto, a renovação das idéias chega aos poucos, devagar, mesmo hoje, quando os meios de comunicação de massa fazem do planeta uma "aldeia global". A manutenção do "status quo" ainda é defendida pelas próprias pessoas, que recusam-se a repensar o porquê de pensarem desta ou de outra forma, embora estejam sendo obrigadas, pela força das coisas, a aceitar mudanças comportamentais e sociais.
Se em terra de cegos quem tem um olho é rei, em nossa Terra estiveram mandando e dirigindo aqueles que tiveram o poder de controlar idéias, ditar e conservar regras de moral e de bons costumes. Sem desconsiderar a importância relativa que a manutenção de valores possui, é preciso destacar que, no passar do tempo, tudo muda, tudo se transforma e se renova, queiramos ou não. A Lei de Evolução é o indicativo doutrinário em que podemos nos basear, para entender que nada e ninguém poderá ser ou ficar sempre do mesmo jeito, embora as mudanças sejam lentas e gradativas, e também dependentes de o quanto as facilitemos ou dificultemos.
Mas será que ainda, as idéias, o filosofar e o espírito científico devem ficar restritos a alguns poucos seres humanos? A resposta a isto está em Kardec, quando diz que o Espiritismo é uma filosofia de conseqüências morais e uma ciência experimental, e nos convida a pensar e a experimentar tudo que aprendamos, indicando a grande necessidade dessa postura porque nossa Doutrina estabelece-se sobre a fé esclarecida ou seja, sobre o conhecer, o saber e o ter experimentado. Kardec também nos convida, constantemente, ao uso do bom senso que é algo pessoal, nascido do discernimento, que precisa do conhecimento e das experiências para constituir-se em vivência e em flexibilidade. E a própria Lei de Evolução dos Espíritos indica que amadurecimento significa pensar por si e escolher com lucidez cada vez maior, usando do arbítrio que todos possuímos.
Concluindo, a Doutrina que consideramos satisfatória para responder às nossas buscas íntimas já nos indicou, desde 1857, que cada um de nós pode e deve questionar, experimentar e transformar, ou seja, ou seja, usar o pensamento de forma filosófica, científica e moral. Essas são as três formas possíveis de se pensar o mundo e tudo que nele possa haver, a começar por nós mesmos.
Certamente quem começa hoje irá, de pouco em pouco, ganhando domínio sobre o seu pensar, na medida em que analise se quer continuar com tal ou tal pensamento, se está sendo benéfico pensar desta ou daquela maneira; descobrindo-se com a máxima autoridade sobre o que quer ou não pensar e desvendando as delícias de experimentar pensamentos, para escolher os que lhe fazem bem.
Chamamos de pensador aquele que inova as formas de entender os assuntos. Será que não podemos ser pensadores, ao menos naquilo que diz respeito à nossa própria vida? A resposta vem de Kardec, que nos convida a sermos cientistas experimentais espíritas, seguindo suas pegadas nesse eterno desvendar de nós mesmos e de tudo que a vida é.
Então, vamos lá! Experimente pensar de forma diferente sobre algum assunto ou situação. Veja o que muda em você e nas suas reações. Examine se melhorou ou não. Se sim, adote por uns tempos essa ova forma de pensar e veja como tudo melhora ao seu redor. Se não, escolha outra forma de pensar e aplique e analise o que é melhor para você. Então, vai deixar para a próxima encarnação ou quer começar já? É você quem sabe...
Artigo publicado no Jornal do CEM, Agosto/2000, também disponível em: www.jornalcem.hpg.ig.com.br.
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