Racionalizações
Rita Foelker

Racionalizar é uma palavra com muitos significados, desde tornar racional até elaborar raciocínios sobre falsas razões.

No campo do autoconhecimento, racionalizações são explicações que a gente inventa para certos acontecimentos, de modo a ficarmos bem, naquelas situações, perante nós mesmos.

Racionalizações podem parecer a verdade, mas não são. São apenas justificativas.

Nossas racionalizações têm relação com o tipo de história que escrevemos para viver, o script que criamos para nós mesmos, como a história da vítima ou do herói que dizemos ser.

Na maioria das vezes, a responsabilidade pelo nosso estado íntimo é lançada aos outros. Como quando nós dizemos: Não falo mais com a Fulana, porque ela me desapontou. Geralmente, o que a outra pessoa fez foi apenas ser ela mesma. Nossa expectativa é que ficou frustrada e sentimos raiva. Jogando a responsabilidade para o outro, tentamos nos isentar e nos convencer de que estamos certos.

Um dos problemas das racionalizações, é que elas são um empecilho para o autoconhecimento, porque elas mascaram os verdadeiros sentimentos e emoções. Elas vivem devolvendo para nós uma imagem falsa de nós mesmos.

Por trás delas, o que encontramos é o medo de olhar para dentro de nós, porque nos envergonhamos de algumas facetas da nossa personalidade, pensando que deveríamos ser melhores do que realmente somos quando, de fato, não temos que apresentar recibo de virtudes adquiridas a ninguém, muito menos daquelas que ainda estamos por adquirir. Perante Deus, somos quem somos, acertamos e erramos, mas continuamos aprendendo, que é o que mais importa. Não temos obrigação de ser, nem de parecer melhor do que somos, o que também implica em sobrecarga psicológica considerável: a obrigação de manter uma imagem idealizada e inverossímil.

Então, já podemos olhar para nós mesmos e nos ver do jeito que somos, o que é um bem não só individualmente, mas tem conseqüências para aqueles que convivem conosco.

Como?... Isto mesmo! Trabalhar para melhorar a própria cabeça não é egocentrismo: é caridade. Porque uma pessoa complicada, dentro do grupo, dá trabalho ao grupo. Dentro da família, dá trabalho à família. Tem aquelas que viram "figurinhas carimbadas", com suas manias, com sei jeito controlador, etc. Se você busca se conhecer, ordenar suas emoções, você está ajudando as pessoas que precisam estar com você. Já pensou nisto?