Vantagens do ensino filosófico
Rita Foelker

Iniciar crianças, adolescentes, jovens e até adultos na reflexão filosófica é cultivar o pensamento capaz de fazer a necessária crítica aos significados orientadores da vida humana, assim como, despertar a criatividade que promove transformações (tornando o mundo mais habitável).

A Filosofia numa educação reflexiva cuida do desenvolvimento das habilidades de pensamento dos alunos, ao mesmo tempo em que cria um ambiente de trabalho coletivo de investigação no qual se pratica atitudes de respeito mútuo, ouvir o outro, dialogar, trabalhar e interagir com o grupo, aprender a elaborar e seguir regras, etc. (Extraído do texto do Programa "Filosofia Para Crianças - Educação para o Pensar")

Acrescentamos, ainda, alguns efeitos deste estudo quando realizado dentro da concepção espírita da realidade:

  • Autoconhecimento, pela descoberta do que somos em essência e do sentido de nossas existências;
  • Elevação da auto-estima, pela descoberta dos próprios recursos interiores;
  • Compreensão racional dos princípios do Espiritismo, fundamentando a fé;
  • Estudo interdisciplinar, relacionando os conhecimentos espíritas às demais ciências e às questões da vida prática;
  • Compreensão aprofundada dos mecanismos das leis divinas ou naturais;
  • Desenvolvimento da lucidez quanto ao uso do próprio livre-arbítrio;
  • Desenvolvimento do raciocínio e da capacidade de argumentação;
  • Desenvolvimento das habilidades de observação, comparação e análise;
  • Estímulo à reflexão sobre temas diversos, relativos à conduta moral;
  • Independência mental e favorecimento à independência emocional;
  • Desinibição e coragem de expor as próprias opiniões;
  • Gosto pelo conhecimento, pela leitura e pelos estudos.
  • Formação de atitudes críticas, criativas e solidárias no diálogo e perante a vida, fundamentadas na maior compreensão dos valores morais.

Precedentes Históricos

O mais conhecido programa de Filosofia para Crianças foi criado no fim dos anos 60 por Matthew Lipman, filósofo norte-americano, com o objetivo de desenvolver as habilidades cognitivas das crianças mediante o discurso de temas filosóficos.

Lipman criou histórias infantis em que os personagens vivem situações e se encontram com problemas que possibilitam a investigação, por exemplo, nas áreas da Teoria do Conhecimento, da Lógica e da Ética e, juntamente com sua equipe, preparou manuais para os professores que trabalhariam com elas.

Segundo textos informativos do Centro Brasileiro de Filosofia para Crianças, o interesse foi tão rápido nos Estados Unidos que, já em 1974, Lipman e sua equipe fundaram um Centro para o Desenvolvimento de Filosofia para Crianças - IAPC - na Universidade de Montclair, em Nova Jersey, destinado a habilitar educadores de todo o mundo, em Filosofia para Crianças.

Atualmente, já são mais de 50 países a utilizar o Programa de Filosofia para Crianças, entre eles: Chile, México, Argentina, Uruguai, Bélgica, França, Dinamarca, Islândia, Espanha, Itália, Portugal, Israel e Austrália.

No Brasil o programa foi introduzido em 1985 por Catherine Young Silva, fundadora do Centro Brasileiro de Filosofia para Crianças - CBFC, instituição responsável pela produção do material didático, divulgação da proposta e preparação de professores.

Milhares de escolas adotam o ensino de Filosofia para Crianças, com ou sem o uso do material desenvolvido pela equipe de Lipman, às vezes com adaptações, mas sem perder de vista o objetivo de ensinar a pensar e de estimular a prática da reflexão.

Para nós, mais importante que adotar a metodologia é compreender a essência do programa e perceber as vantagens de se trabalhar com conhecimentos desta maneira.