Planejar é preciso

Rita Foelker
Quando sabemos qual é nosso propósito, o trabalho da alma se realiza da melhor forma possível através do nosso corpo. Um propósito claro elimina todas as dúvidas, pois identificamos aquilo que nos conduz à nossa meta ou nos desvia dela. A energia em nossas vidas é imensa quando uma clareza de propósito está sempre presente.
Sônia Café, em “O Anjo do Propósito”
Definir objetivos, prioridades e estratégias a serem desenvolvidas durante o período que se inicia (ano ou semestre) com clareza e simplicidade, mas de forma eficiente, pode constituir a diferença entre o êxito ou o fracasso do esforço da equipe de educadores.
No começo do ano, toda atenção precisa ser voltada a esta oportunidade importante, em que é possível verificar o que vem dando certo, para fazê-lo de forma cada vez melhor e, quando forem diagnosticados problemas ou equívocos das experiências anteriores, para encontrar soluções e estabelecer novas formas de agir em grupo e individualmente.
Reuniões de planejamento
Recomenda-se que seja realizada pelo menos uma reunião de todos os educadores ligados ao Departamento de Educação Infantil ou de Evangelização comprometidos com o trabalho no novo período. Para amadurecimento das propostas e reflexões, outros encontros podem ser marcados, com temas sugeridos para se pensar em casa ou para pesquisa. Seja qual for o tempo de que se disponha, é fundamental trabalhar nestes momentos o entrosamento entre os trabalhadores. Ainda que não haja novos integrantes, uma atividade lúdica - um “quebra-gelo” - que propicie a descontração e a espontaneidade, vão ajudar muito nas etapas que vêm em seguida:
  • avaliação do período anterior;
  • definição clara dos objetivos;
  • planejamento de ações.
Avaliação do período anterior
Pode ser feita uma breve retrospectiva, para que todos se situem com relação às suas dificuldades e observações. Embora a avaliação do trabalho educacional deva ser constante, esta é a hora de falar seriamente sobre erros e acertos das ações realizadas, sempre sem visar diretamente pessoas, ou mesmo atitudes específicas de uma pessoa. Sugerimos uma dinâmica de grupo.
A auto-avaliação pode ser feita em particular, com a ajuda de um questionário contendo perguntas como: Conheço bem minha missão? Qual é ela? O que me trouxe até aqui? Estou contente com o que tenho feito? Qual foi a melhor coisa que fiz este ano? Quando foi que me senti realmente um educador? Onde poderia ser ainda melhor que tenho sido? Qual minha grande necessidade? Como supri-la? Com quem poderei contar?
Definição clara dos objetivos
Objetivos educacionais gerais, com relação a cada turma, serão definidos. Temas serão escolhidos para abordagem durante o período, com uma estimativa do tempo necessário a cada um.
O principal objetivo da Educação Infanto-Juvenil na casa espírita é estabelecer bases para uma compreensão espírita da vida, criando situações que estimulem a reflexão e as experimentações dos conceitos da Doutrina e dos valores calcados nas leis de Deus.
Perceber isto claramente, além dos objetivos específicos definidos para cada grupo de educadores e de alunos, é o que mantém os esforços na direção certa.
É recomendável que cada educador estabeleça objetivos para si mesmo, a partir de sua auto-avaliação, e se empenhe em cumpri-los, sejam relativos à aprendizagem, ao relacionamento com colegas ou alunos, ao aprimoramento na tarefa ou à adoção de novas atitudes íntimas. Como esperar mudanças nos alunos, quando se permanece o mesmo?
Planejamento de ações
O fator decisivo das ações planejadas é a ênfase dada o trabalho reflexivo e criativo, e não mecânico. Criança que lida com os temas de forma concreta, contextualizada e agradável consegue criar intimidade com os conceitos e torna-se mais capaz de fazer conexões com a própria vida.
Deixar alguns itens em aberto, e utilizar as primeiras aulas para conhecer a realidade dos alunos, é um bom modo de atuar com mais eficiência. Afinal, um planejamento não é um molde de gesso onde as pessoas se enquadram. Também não é um cronograma rígido a que todos se submetem, custe o que custar. Ele foi feito para facilitar, e não para emperrar a prática do educador. Eis por que precisa ser elaborado em grupo, e faz-se necessário discuti-lo periodicamente.
Apoiar iniciativas dos alunos que favoreçam o companheirismo, a solidariedade e a curiosidade intelectual pode ser mais interessante, em termos de transformação interior, que cumprir à risca um plano, sobretudo se, no decorrer do ano, ele se mostrar desestimulante ou de baixo rendimento.

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