Um Presente para Dois: Plano de Trabalho

Sugestão proposta a partir do texto encaminhado pelo CVDEE, para participantes da Sala Evangelize - www.cvdee.org.br.
Era um bonito dia. O tempo estava perfeito para um piquenique. Quando chegou a hora do almoço, decidimos ir para um pequeno parque na cidade. Como temos gostos diferentes, decidimos nos separar, cada uma compraria o que quisesse, e nos encontraríamos na grama em alguns minutos.
Quando minha amiga Robby foi até um carrinho de cachorro quente, eu resolvi ir com ela. Vimos o vendedor preparar dois sanduíches perfeitos, do jeito que Robby queria. Mas quando ela tirou o dinheiro para pagar, o homem nos surpreendeu.
— Nem pense em me pagar. Estes serão minha amostra grátis do dia.
Agradecemos e fomos reencontrar nossas amigas no parque. Mas enquanto nós conversávamos e comíamos, eu percebi um homem solitário, sentado perto de nós, nos olhando. Acho que há dias ele não tomava banho. Outro mendigo, eu pensei, como muitos outros que se vê pelas cidades. E não dei mais muita atenção.
Terminamos de comer e decidimos caminhar. Mas quando Robby e eu fomos até a lata de lixo para jogar fora o saquinho plástico, eu ouvi uma voz forte perguntando:
— Tem algum restinho aí, tem?
Era o homem que estava nos olhando. Eu não sabia o que dizer.
— Não, já comi tudo.
— Que pena. — Foi a única resposta dele, sem nenhuma vergonha na voz. Obviamente, ele tinha fome, não podia ver qualquer coisa sendo jogada fora.
Me senti péssima, mas sem saber o que fazer. Foi quando Robby disse:
— Volto logo. Por favor me espere por um minuto. E saiu.
Eu assisti curiosa enquanto ela caminhava até o carrinho de cachorro quente. Então eu percebi o que ela estava fazendo. Comprou um cachorro quente, voltou e deu a comida para o homem faminto.
Quando voltamos para nossa caminhada, Robby disse simplesmente:
— Eu apenas transferi a bondade que alguém me fez.
Aquele dia eu aprendi que a generosidade pode ir muito mais longe do que imagina aquele que doa. Doando, você ensina as outras pessoas a doar também.
Tradução de Sergio Barros do texto de Andrea Hensley.

Olhando com olhos de educador
Não gosto de atrelar uma história a um só tema. Uma boa história pode ter vários enfoques, levando a várias reflexões.
Esta, por exemplo, fala de caridade, lógico!
Mas, quando fala de gostos diferentes e do respeito à preferência de cada um, ela nos lembra que cada ser é único: fala das diferenças individuais sendo aceitas entre pessoas que são amigas.
Falando da individualidade, ela mostra que cada um de nós tem direito às suas escolhas: fala do livre-arbítrio.
Falando do vendedor, mostra alguém que, mais do que vender cachorro-quente, quer tratar bem as pessoas. Será que todos os vendedores são assim? Qual o significado do trabalho em nossas vidas? Fala, portanto, da Lei do Trabalho.
Fala de sensibilidade para perceber o sofrimento alheio. Será que todos conseguimos perceber que alguém sofre perto de nós? Será que todas as dores são visíveis como a do mendigo, ou há dores ocultas nos corações das pessoas? Fala, portanto, de sensibilidade e compaixão.
Fala de hábitos de limpeza e conservação, quando as personagens vão até o lixo jogar o saquinho vazio.
Fala do gesto de doação, que é a caridade.
E fala da força do exemplo, quando diz que quem doa também ensina a doar.
Muita coisa, não?!

Plano de Trabalho
Existe, às vezes, uma idéia equivocada de que uma história se esgota em uma ou duas aulas. Na verdade, podemos passar mais de um mês trabalhando com a mesma história. Aqui vai um plano de trabalho que elaborei a partir deste texto:
Aula 1: Contar a história usando o álbum seriado, fantoches ou, simplesmente, narrar oralmente. Conversar sobre a mensagem. Pedir para as crianças levarem receitas de lanches gostosos, na próxima aula.
Aula 2: Verificar as receitas trazidas. Depois, fazer uma votação e verificar a preferência da maioria. Será que o resultado da votação deixou todos contentes?... A partir daí, podemos dialogar sobre a escolha dos lanches feita na história: cada um comeu o que quis. Será que as pessoas sempre aceitam nossas preferências e escolhas? Já ficamos em situação difícil, aceitando algo que não queríamos, só para não contrariar alguém? Como resolver isto?
Outro enfoque: Jogar o lixo no cesto ou no chão é uma escolha? Qual seria a melhor escolha? Por quê?
Aula 3: Podemos dramatizar a história do vendedor de cachorro-quente, de várias maneiras: com o vendedor atencioso, com o vendedor indiferente (que nem olha para o rosto do cliente), com o vendedor ganancioso (que economiza do recheio), e verificar cada situação. Qual destes vendedores é mais feliz? Qual deles será que vende mais cachorro-quente? Qual deles é contente no seu trabalho? Porque às vezes não estamos contentes com o que temos de fazer? Há solução para isto? Qual?
Aula 4: Com duas folhas grandes de papel e material de desenho, podemos propor que a classe desenhe o mendigo antes de receber a doação e depois, um em cada folha. Há diferença? Qual? Se Robby fez diferença no dia do mendigo, será que nossas atitudes podem fazer diferença na vida das pessoas que estão perto de nós?
Aula 5: Pedir que as crianças contem a história, do jeito que quiserem, e o educador será o ouvinte/espectador. Diga que podem se reunir e combinar como farão. Depois de ouvir atentamente, pergunte como aprenderam a contar histórias. Ajude-as a observar a importância do exemplo, como o exemplo do vendedor que doou o cachorro-quente. Que outros bons exemplos temos tido para nossas vidas?
Em todas as aulas, segue-se um diálogo e pode haver uma outra atividade, que pode ser jogo ou música.

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